Blog

012 – Qual é o meu tom?

É bem frequente que uma pessoa comece a fazer aulas de canto aqui conosco e pergunte: Qual é o meu tom? Será que é G (Sol Maior), E (Mi Maior) ou C (Dó Maior)? Como descobrir em qual tonalidade devo cantar?

Vamos explorar nesse post porquê essas perguntas não fazem muito sentido quando feitas dessa forma. E também como fazer a mudança de tom de uma música da maneira CORRETA.

A maior parte das pessoas que faz essas perguntas começa a cantar e não consegue atingir os agudos de determinadas músicas e consegue atingir de outras. Então ela se pergunta: será que músicas no tom “x” são todas boas para mim? E o passo natural seria colocar as músicas que não consegue cantar no mesmo tom daquelas que elas conseguem cantar.

Em primeiro lugar, seria bom avaliar se a pessoa não consegue atingir os agudos das músicas porque realmente eles estão fora da extensão vocal dela ou porque falta estudo de técnica vocal.

Mesmo que seja por falta de estudo de técnica, a alteração de tom pode ser um processo temporário até ela evoluir nos estudos. Um caso muito legal é quando a pessoa já tem compromissos musicais (shows, eventos ou gravações) e tem que continuar realizando essas atividades enquanto segue nos estudos de técnica.

Outro método que usamos quando a pessoa está estudando canto aqui conosco é baixar o tom num primeiro momento e gradualmente ir voltando (de meio em meio tom a cada semana) à tonalidade original. Dessa maneira, nosso corpo responde muito melhor e junto com o estudo de exercícios de técnica muitas vezes conseguimos cantar a música no tom original.

Mas e se chegarmos a conclusão de que o tom de certa música realmente não funciona em nossa voz (mesmo que seja algo temporário)?

Nesse caso, devemos analisar a extensão da MELODIA daquela música. Uma definição muito superficial de MELODIA é aquela que diz que melodia é a sequência de notas que determinado instrumento ou voz faz. A palavra importante aqui é sequência; porque se forem notas simultâneas, teremos ACORDES.

Muito bem, vamos supor que você é uma cantora e que determinada música que você queira cantar vá até o E4 (Mi 4 – considerando o Dó central como 3) e você não consegue cantar a parte da música que tem essa nota.

O procedimento correto seria mudar o tom (MELODIAS E ACORDES) em toda a extensão da música para um tom mais grave, que tenha como nota mais aguda uma nota que você consiga cantar. Instrumentos como violões, guitarras, baixos, teclados etc. – todos devem mudar de tom também. Os únicos instrumentos que ficam de certa forma livres dessa transposição são baterias e instrumentos de percussão não-tonais.

Um procedimento ERRADO seria apenas mudar uma ou outra nota da melodia naquele trecho que você não consegue atingir as notas que o cantor original cantou (mesmo que as notas que você cantou caibam naqueles acordes e escalas).

Perceba que uma música pode estar em Do Maior (C) e a nota mais aguda da melodia ir até esse E4 (Mi 4), mas podemos ter outra música em Mi Maior (E) em que a nota mais aguda da melodia vá até B3 (Si 3).

Então não faz muito sentido tentar achar um tom universal; um tom em que todas as músicas ficariam boas na sua voz. Devemos sempre analisar qual a nota mais aguda da melodia daquela música e comparar com a nota mais aguda você está conseguindo alcançar no momento.

Depois de feito isso, analise quantos tons a sua nota mais aguda está distante da nota mais aguda daquela música e baixe o tom de todos os instrumentos que fazem acordes e melodias por toda a extensão daquela canção. Se por acaso a música for muito grave para você, pense na nota mais grave que você consegue ir e transponha a música até que ela atinja essa nota apenas.

Dessa maneira você conseguirá cantar a música que sempre quis da melhor maneira possível! E se estiver estudando exercícios de técnica vocal paralelamente, a cada semana você pode ir tentando aumentar o tom da(s) sua(s) músicas favorita(s) gradualmente.

0

About the Author:

Raphael Begosso - Vocal Coach, Compositor e Produtor. Formado em Música com habilitação em Composição e Regência pela Universidade Estadual Paulista (UNESP), Raphael estuda canto há 12 anos e trabalha como professor desde 2002. Estudou também piano, guitarra, violão erudito e canto coral na Escola de Música do Estado de São Paulo (antiga ULM). Já trabalhou como cantor, maestro, diretor musical de grupos vocais/corais, arranjador e compositor. Atual aluno da Berklee College of Music na área de canto. Depois de passar por uma série de professores do Brasil e internacionais, hoje estuda e se especializa com o professor americano Brett Manning no método Singing Success – de eficiência comprovada e usado por vários cantores famosos e ganhadores de prêmios Grammy, MCA Awards e Dove como Hayley Williams (Paramore), Taylor Swift, Keith Urban, Mark Kibble e Claude Mcknight (Take 6), Michael Barnes, Luke Bryan entre outros. Trabalhou como cantor, arranjador e produtor do grupo vocal CantaMais.
  Mais Posts

Add a Comment