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004 – Você usa TALENTO como desculpa ou incentivo?

Vira e mexe alguém me pergunta:

 

“Nossa, como pode? Fulano de tal é tão novo, nunca estudou canto e canta tão bem! Só pode ser talento (ou dom)! Eu nunca conseguiria!”

 

Não quero aqui negar que todos têm facilidades naturais: uns fazem muito bem conta de cabeça, outros conseguem facilmente interpretar um texto difícil, uns têm um raciocínio lógico bem agudo, outros falam bem em público e assim por diante. E também há quem tenha uma facilidade natural para música ou canto, mas em geral as pessoas que fazem essa pergunta desse jeito, usam a palavra TALENTO como desculpa para nem tentarem.

 

Dependendo da fonte, você encontrará na literatura que essa “facilidade” impacta em 20 ou 30% no resultado final da performance de uma pessoa em uma determinada area. Ou seja, temos bons 70% ou 80% que podem ser melhorados.

 

Essa melhora pode vir de vários ângulos. Para alguns, entrar numa escola ou procurar um professor é melhor; outros se adaptam muito bem ao auto-estudo; há pessoas ainda que não se adaptam ao estudo formal de maneira alguma e se engajam em experiências e projetos para que aprendam um pouco mais na prática.

 

Nesse último grupo podemos ter pessoas que desde criança estão envolvidos com música de alguma forma: em casa, na igreja, com amigos etc. E eis que elas chegam aos 18 anos cantando (ou tocando) muito bem, sem nunca terem feito aula.

 

Mas isso não significa que elas não tiveram algum tipo de aprendizado e apenas “nasceram assim”. Na verdade, mesmo aqueles que gostam de um estudo mais formal, deveriam estar envolvidos com atividades musicais em grupo com certa frequência.

 

O problema é que vejo em algumas pessoas (às vezes estimulados por esses reality shows musicais) uma exaltação absurda do talento e pouco ou quase nenhum reconhecimento de o quanto uma pessoa pode melhorar e aprender. “Hard work beats talent when talent doesn’t work hard”. Ou seja, o trabalho duro supera o talento quando o talento não trabalha duro.

 

Todos devem conhecer alguma pessoa que tem talento para música, mas acaba não conseguindo trabalhar na área. Ou então conhecem alguma pessoa que parecia não ter muito talento, mas gostava muito de música, estudou bastante e acabou conseguindo se colocar no mercado.

 

Em geral, se a pessoa quiser realmente se profissionalizar, ela terá que acabar, pelo menos por um tempo, tendo algum tipo de ensino formal. É muito difícil ela se colocar bem sem um isso. Até porque por mais talento para ser advogado que uma pessoa tenha, ela não será um profissional da área sem cursar Direito e passar na prova da OAB.

 

Por que algumas pessoas acham que com música seria diferente? A culpa disso é das palavras talento e dom quando usadas como desculpa. NINGUÉM, repito, NINGUÉM nasce melhor do que os outros, aliás, todos nascem chorando. Então não há porque achar que você não está “destinado” a cantar bem.

 

Basta que você passe dar muito mais importância aos 70 ou 80% que podem ser melhorados e aprendidos no seu ato de cantar e bem menos importância aos 20 ou 30% de talento, dom ou facilidade que você possa ter!

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About the Author:

Raphael Begosso - Vocal Coach, Compositor e Produtor. Formado em Música com habilitação em Composição e Regência pela Universidade Estadual Paulista (UNESP), Raphael estuda canto há 12 anos e trabalha como professor desde 2002. Estudou também piano, guitarra, violão erudito e canto coral na Escola de Música do Estado de São Paulo (antiga ULM). Já trabalhou como cantor, maestro, diretor musical de grupos vocais/corais, arranjador e compositor. Atual aluno da Berklee College of Music na área de canto. Depois de passar por uma série de professores do Brasil e internacionais, hoje estuda e se especializa com o professor americano Brett Manning no método Singing Success – de eficiência comprovada e usado por vários cantores famosos e ganhadores de prêmios Grammy, MCA Awards e Dove como Hayley Williams (Paramore), Taylor Swift, Keith Urban, Mark Kibble e Claude Mcknight (Take 6), Michael Barnes, Luke Bryan entre outros. Trabalhou como cantor, arranjador e produtor do grupo vocal CantaMais.
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